a tontice continua a galgar neurónios, ao mais alto nível, em Portugal.
agora, que a ministra da pasta nos quer acender a chama do orgulho pátrio por termos elevado as médias à outrora tenebrosa matemática, assim um pouco como quem estimula um reforço positivo num adolescente preguiçoso, dando-lhe a entender que o esforço de uma obrigação deve ser objecto de prémio - embora seja difícil de entender este "orgulho" germinado à custa de de uns testes cuja facilidade é contestada por associações do sector - são conhecidos os tristes resultados a Português.
não me espanta. eu própria decidi-me, em tempos, a não colaborar mais com um sistema de ensino que aceita candidatos a futuros licenciados + estágio pedagógico acoplado, com média negativa, e aos quais se assistia, na prática, aos mais diversos erros estruturais, impossíveis de sanar em quatro anos lectivos.
jovens adultos candidatos a professores que não lêem um jornal - o Record não conta - que não procuram outra leitura para além dos cadernos de cópias para o exame, que não conseguiam indicar um único título de uma obra literária que tivessem lido, recente ou longínqua, que parece que tinham ido ao teatro, sim, uma única vez, com a escola, ver um Auto Vicentino, no nono ano, que não se obrigavam à chatice da revelação que pode causar uma exposição artística, que nunca tinham ouvido um grupo de câmara, quanto mais uma orquesta sinfónica, que nunca beberam de um bailado, de uma ópera, gente para quem a vivência estética e intelectual se mede pela bitola das canções de um Quim Barreiros, e que, quatro anos depois de terem entrado numa ESE (Escola Superior de Educação) imprimem a sua marca nas dezenas de crianças e jovens que os tomarão como exemplo.
a nódoa do Português só surpreenderá, portanto, os distraídos.
em relação ao fracasso de outra disciplina, a Física - que, em termos singulares, tem revelado muita da excelência de um punhado de investigadores e divulgadores portugueses -talvez se pudessem dar exemplos que castigam a ignorância, como
este .
os italianos. estão como nós.